• Julio Sa Rego

Um dia no monte: tensões e distensões

Dernière mise à jour : 24 avr. 2020


Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter, Pergunto a mim próprio devagar Por que sequer atribuo eu Beleza às cousas. (Alberto Caeiro, 1925, poema XXVI) Minha chegada à Murça foi agitada. Havia combinado de encontrar o Pastor em local e hora não claramente acertados, o que a mim, simples cidadão formatado pela objetividade da cartografia urbana e marcação do relógio, pode deixar um pouco ansioso. Assim, decidi pegar a estrada cedo para percorrer os 450 km que me separavam de Murça e não perder a oportunidade de encontrar esse pastor. No caminho fui rememorando alguns aprendizados trazidos do Alvão, confiante de que já não era mais o mesmo indivíduo inexperiente em matéria de pastorícia. Cheguei em Murça por volta das 13h. Faminto e praticamente sem bateria no celular que me servira de GPS durante a viagem, corri para achar uma tomada e contatar sem mais demora o Pastor. Ele propôs-me encontrá-lo imediatamente algures no meio de uma estrada rural, depois da placa de sinalização da aldeia, não muito longe de um olival à esquerda, e com cuidado para não me enganar, pois na região havia outra aldeia de nome muito similar!


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