• Julio Sa Rego

Um dia no monte: meu querido mês de agosto

Dernière mise à jour : 24 avr. 2020


Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... (Alberto Caeiro, 1925, poema VII) Já fazia semanas que andava por casa entre leituras acadêmicas e organização de notas de viagem. Um estranho vazio havia-se instalado no meu cotidiano que nem mesmo o sol do verão chegava a preencher, quando minha esposa, fortuitamente, declarou: “preciso de férias!”. Talvez pensara ela em algum hotel de charme na costa algarvia; talvez almejara explorar uma rota gastronômica de queijos e vinhos pelo Douro; ou talvez quisera descobrir os Açores; o fato é que não perguntei! Aproveitei a deixa para entusiasmadamente propor-lhe um outro programa: a festa da Aldeia do Alvão! A festa da Aldeia já foi uma referência na região. Era comum massas se deslocarem para lá durante um fim de semana de agosto e desfrutar de um parêntese de partilha e intercâmbio em suas rotinas agrícolas. Com o tempo, porém, a Aldeia foi murchando, sua população emigrou e os que ficaram perderam lentamente a alegria e mobilização conjunta para receber. A festa se extinguiu e caiu no esquecimento por quase duas décadas.


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