• Julio Sa Rego

Terra Quente, Terra Fria: um quê de modernidade da Terra Quente


Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,

Quer para fazer bem, quer para fazer mal.

(Alberto Caeiro, 1925, poema XXXII)


Havia na Terra Quente uma exploração ovina que aplicava modos de produção diferenciados, revelara-me a secretária técnica de uma das associações de criadores de ovinos transmontanos. Eu já havia visitado diversas explorações convencionais, mas não havia tido a oportunidade de ver outras abordagens ainda. Como seria? Minha curiosidade não passou despercebida e, pouco depois dessa conversa, a secretária técnica, solícita, comunicou-me que havia acertado uma visita para mim.


O dia almejado chegou. Era uma manhã de inverno fria e nevoenta em Bragança com condições de visibilidade mínimas... não se enxergava nada. A estrada foi uma aventura na qual eu me guiava pelo instinto e emoções de curvas súbitas, e penso ter chegado inteiro ao destino apenas por não me haver cruzado com ninguém no caminho. Encontrar o criador e o rebanho fez parte dessa aventura. As ovelhas estariam em uma interseção específica às portas da aldeia naquele horário e o criador havia-me fornecido as indicações para me orientar... foi sem contar com a névoa. Eu não distinguia monte, curva ou sinalização dadas por ele como pontos de referência; eu via linhas desfocadas num borrão cinza. Sem poder telefonar-lhe por falta de rede, tive que seguir caminho até a próxima aldeia onde meu telemóvel voltara a captar. Após novas explicações, resignamo-nos a encontrar no estábulo, uma estrutura que eu havia de fato avistado da estrada, mas sem associá-la a uma corriça.


(continue lendo no Jornal a Gazeta Rural)